Eu tive que provar para os meus pais
Que o filho deles é capaz
De que criar seus próprios ideais
Tive que seguir sem olhar pra trás
Falaram demais, minha vida foi um dilema
Mas vivi e tô aqui pra dizer que valeu apena e ainda vale..
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Esbornia & Alcool
+

Pior do que se sentir triste. É se sentir vazio.




Minha imaginação me tortura.


“E aí, quando vem me ver? Tô aqui esperando você.”
Jorge e Mateus.  (via um-heroi)




written-stars:

Oi, meu nome é Allie. Sou estudante e tenho 17 anos. Bom, eu vim contar minha história. Sei que não se pode esperar quase nada de uma adolescente de 17 anos, mas, sei lá, as vezes é bom colocar tudo pra fora independente do que o mundo vai pensar.

Faz uma semana que eu e minha família nos mudavamos para Carolina do Norte, confesso que ainda não me acostumei com isso. É tudo muito diferente de Nova York. As pessoas, os lugares, tudo, mesmo sendo uma cidade pequena. Fiquei por alguns dias revoltada com meus pais por causa dessa mudança, mas aos poucos tudo está voltando ao que era antes. Sinto falta dos meus amigos, das festas e principalmente da escola, embora eu não seja muito fã dos estudos. Quase todos os dias eu ia a praia caminha no final da tarde. É sempre bom ficar sozinha, olhar o céu, sentir aquele cheirinho de água salgada invadindo minhas narinas e mais ainda, sentir meus cabelos voarem junto com o vento. É uma sensação de leveza, sabe?
Ainda não fiz amizade nenhuma por aqui, as pessoas são um pouco estranhas e as ruas, as vezes vazias. Não eu aqui seja ruim, muito pelo contrário, é lindo. Mas é estranho. É como se aqui não fosse o meu lugar. Minha casa fica de esquina a praia e atrás, fica um lago cheio de patos que me dão arrepios. Pode ser engraçado, mas acredite, tenho fobia a patos e um dia, esses mesmos correram atrás de mim. Imaginem a cena!
Numa terça feira, ao chegar da aula, fui olhar o mar e enquanto pensava nos meus amigos e no quanto eu estava com saudades, acabei esbarrando num cara.
- Desculpa, mil desculpas. Foi sem querer, eu juro, tava distraída…
- Calma, tudo bem, não tem problema.
Seus olhos cor de mel penetravam nos meus de uma forma ao qual olhar nenhum nunca tinha feito e os seus cabelos castanhos bagunçados combinava perfeitamente com o desenho do seu rosto. Ele era lindo, confesso. Mas eu nunca fui de ficar com muitos garotos, muito menos esbarrar em outros na praia. Sempre fui tranquila e desde meu último relacionamento á 3 anos atrás, nunca mais quis saber do “amor” - se é que isso realmente existe.
- Qual seu nome?
Fiquei calada, claro. Porque diria meu nome a um desconhecido que achava que só porque nos esbarramos, tinha o direito? Mas ele era insistente e percebi que se eu não falasse, ele não me deixaria ir embora.
- Não vai me dizer qual seu nome? rs
- Allie, meu nome é Allie. Agora dá licença, preciso ir!
- Espera! Pra onde você vai? Eu nem te disse o meu. - disse ele me puxando o braço
- Cara, qual é? Eu já pedi desculpas por ter esbarrado em você, agora me larga!
- Meu nome é Travis!
Eu não entendia porque ele sorria de toda aquela situação. Confesso que ele era envolvente, mas era estranho a forma em que ele arrumava qualquer coisa pra falar só pra não me deixar ir embora.
- Ok Travis, agora adeus!
- Não, espera!
- O que foi?
- Posso te deixar em casa pelo menos?
- O que? - vocifrerei num tom mais alto
- Sei que pode parecer estranho, mas me deixe ao menos te levar em casa.
- Não precisa, eu sei o caminho.
- Cara, dá pra pelo menos ser um pouco simpática?
Olhei pra cara dele e soltei um ar de tipo “e você dá pra ser menos irritante?”, mas não adiantou. Ele vinha me seguindo e falando no caminho inteiro, parecia meu irmão mais novo quando queria alguma coisa. Mas depois, durante mais ou menos uns 5 minutos, ele ficou em silêncio e não parava de me olhar e sorrir.
- Qual foi a graça?
- Nenhuma ué. É sempre bom mostrar que tá feliz.
- Feliz por ter esbarrado numa garota que você nunca viu na vida? Pois saiba que eu não estou nem um pouco.
- É sempre durona assim? rs
- Sim, não se sinta especial.
- Você é engraçada, Allie.
- E você um chato! - falei num tom irônico e sorri.
- Você mora por aqui? É que nunca te vi por essas bandas…
- Me mudei pra cá com meus pais faz uma semana.
- Costuma vim sempre a praia?
- Sim, todos os finais de tarde. E você? Costuma sempre esbarrar em alguém e fazer muitas perguntas?
- Não - ele sorriu -, mas deveria experimentar mais vezes, talvez encontrasse alguém menos mal humorada.
Dessa vez ele conseguiu me tirar um sorriso e tanto. Ele era divertido e tinha uma paciência…
- Chegamos!
- Você mora aqui?
- Sim…
- Perto do lago que eu vinha quando pequeno.
- Sério?
- Sim, meu pai e eu sempre vinhamos passear de barco e ver os patos que ficam um pouco mais pra frente.
- É, uma vez, ainda essa semana, um deles correu atrás de mim e quase me fez meter a cara no chão.
- Deve ter sido diverto! rs
- Claro, não era atrás de você que ele estava correndo… Bom, preciso ir.
- Posso vim te buscar amanhã?
- Hum…
- Ah vai, larga essa marra toda! Às 19:00h, combinado?
- Se eu disser que não, você não vai sair do meu pé, não é?
- Não mesmo rs
- Então tá, combinado.
Ao entrar pra casa, fui direto pro meu quarto. Que droga eu estava fazendo? Aceitar sair com um cara desconhecido não tinha NADA a ver comigo. Era totalmente fora dos padrões, era loucura! “Eu não deveria fazer isso” - sussurrada na frente do espelho.
Em seguida, começaram a bater na porta do meu quarto: “toc toc toc!”
- Entra!
- Oi filha, amigo novo?
- É, acho que sim, pai.
- Só cuidado.
- Pai, é só um amigo.
- Tudo bem, mas tenha cuidado e qualquer coisa, use o spray de pimenta que coloquei na sua bolsa.
- Pai!?
Meu pai é o tipo de cara protetor. Muito, pra falar a verdade. As vezes até passava do limite. Como colocar sempre um spray na minha bolsa, por exemplo. Eu já sabia me cuidar, mas pra ele, mesmo com quase 18 anos, nunca cresci e sempre continuaria sendo a bebê dele. Coisa de pai mesmo. Já minha mãe, era um pouco mais “liberal”, digamos. Raramente me proibia de sair, mas ligava pra mim de uma em uma hora e não era tão chato, acredite.
Na manhã seguinte acordei com uma sms da Bonnie, minha melhor amiga: “Lie, assim que poder, me liga. Estou com saudades, fiquei com medo de te acordar… Quero saber como anda as coisas por aí e quero te contar as novidades. Eu te amo, beijo!”.
- Alô? Bonnie?
- Oi Lie, como você tá?
- Tentando me acostumar, e você?
- Na mesma… Me diz, já conheceu gente nova por aí?
- Só um maluco que esbarrei sem querer e agora ele não sai do meu pé. Vamos sair hoje!
- Como assim? Me conte essa história direito! - falou com irônia
Passamos horas no telefone conversando sobre o tal “esbarro” e ela tirava o maior sarro da minha cara, era inacreditável. Mas apesar de tudo, a Bonnie era a melhor amiga que alguém poderia ter e me entendia como ninguém.
- Preciso desligar, Lie. Se cuida, hein? E me conta como foi o “encontro” depois! - gargalhava
- Dá pra parar? Não é um “encontro”, é só pra ele sair do meu pé.
- Tá bom, vou fingir que acredito.
- Tchau, boba. Amo você!
- Eu também.
Fui me arrumar de 18:00h e quando fiquei pronta, fiquei andando de um lado pro outro de tão nervosa e preocupada. Se ele não aparecesse, seria mais um motivo pra “matá-lo” e dessa vez, iria atrás dele e usaria o spray de pimenta do papai. E quer saber? Acho que… - meus pensamentos foram interrompidos pela campanhia.
Meu irmão mais novo, o Bryan, pulou do sofá e foi abrir a porta.
- Oi, a Allie é está? - disse o Travis
- Allie, seu namorado chegou! - gritou Bryan
- Cala a boca, moleque! Olha a graça! - murmurei
O Brayn me mostrou a língua, como de costume e voltou para o sofá todo emburrado.
- Você veio…
- É, eu disse que vinha. Você tá linda!
- Dá pra parar?
- De que?
- Elogios me deixam sem graça!
- Se depender de mim, você vai ficar sem graça o tempo todo então.
- Idiota!
- Vamos, quero te mostrar um lugar. - me puxava pela mão
Ele era encantador. Aos poucos, fui me soltando mais e deixando esse meu lado “antipático” de lado. Ele era legal também e me fazia sorrir o tempo todo com suas histórias malucas. Ele me falou dos pais dele, dos amigos e do vôlei que era sua paixão. Falamos sobre o futuro, sobre tantas coisas… Ele realmente era diferente. No caminho, avistamos uma praça. Uma praça deserta, mas linda. De tão poucas árvores, dava-se pra ver a lua inteira.
- Você é a primeira pessoa que trago aqui.
- É tudo muito lindo. Olha essa lua, que enorme!
- Ela nunca será maior que seu polegar.
- Como assim?
Ele pegou minha mão e pôs meu polegar sob a lua.
- Assim!
- Bem interessante… Você é legalzinho até! - sorríamos juntos
Um silêncio tomou conta daquela praça por um momento e eu enquanto o observava, notava um pouco de preocupação nos seus suspiros.
- Aconteceu alguma coisa? Olha, desculpa se fui grossa o tempo todo…
- Não é isso.
- O que aconteceu?
- Vou para o exército amanha…
- Isso não é hora de brincadeira, Travis.
- Tô falando sério.
- Não pode…
- Me alistei e agora preciso ir.
- Porque só me avisou isso agora?
- Não sei.
Eu não sei o que estava acontecendo comigo. Eu não queria que ele fosse, era perigoso servir ao exército e talvez, ele nem voltasse mais.
- Tem noção do que fez?
- Tenho.
- Você é maluco! Tem noção dos riscos que tá correndo? Você não deveria… - ele me interrompe com um beijo.
Quando nossos olhares se aproximaram, senti algo que nunca tinha sentido antes. Um frio na barriga, um nervosismo, eu não sei explicar. Nossos lábios se encaixavam perfeitamente bem, como se tivessem sido feitos um para o outro. E confesso, se pudesse, ficaria ali o resto da noite.
- Allie, desde quando te vi, tinha certeza que era você. Mesmo você com toda essa marra, esse mal humor, porque eu sei que por dentro tem uma garota incrível e melhor do que todas as outras que já encontrei.
- Você tem mesmo que ir? - disse com a cabeça baixa
- Allie, olhe pra mim! Não se preocupe, eu vou voltar, prometo! E sempre que a lua estiver cheia, olhe pra ela. Estarei sempre pensando em você.
Em seguida, nos abraçamos e senti a dor da sua partida ocupando meu coração. Tudo foi muito rápido, mas algumas coisas e sentimentos não podem ser explicados. Tudo acontece na hora certa e talvez essa fosse mesmo, eu sentia isso arder no meu coração.
Ele foi embora e conforme os anos passavam, o que eu sentia aumentava cada vez mais. Era estranho. Uma hora eu o queria longe custe o que custasse e agora, eu o queria perto. É inexplicável. Aos poucos ele ia preenchendo todo vazio do meu coração e aumentava a saudade, mesmo que fosse tortura.
Passei a ir a praia mais vezes e todos os dias, conversava com a Bonnie no telefone. Ela tentava suprir por algumas horas a falta que ele me fazia, mas quando desligávamos, era só olhar pro mar pra tudo voltar. Mas deixar de ir caminhar na beira do mar, era inevitável. E se eu não fosse, tinha o lago atrás de casa que também me fazia lembrar dele. Tudo me ligava a ele. É engraçado, não é? Essa coisa de ver a pessoa que você gosta partir e tudo te fazer lembrar dela, até as coisas mais estranhas como aqueles patos, por exemplo.
Comecei a fazer faculdade de fotografia, minha paixão. E passei a sair mais um pouco de casa, não suportava mais a mesma rotina. Conheci a Alice e a Bela que passaram a ser minha companheira de rolês. Elas me distraíam bastante, mas não o suficiente. Eu sabia que toda aquela “falta” só passaria quando o Travis voltasse.
2 anos se passaram. Quando era época de lua cheia, tinha certeza que ele estava pensando em mim aonde quer que ele estivesse, assim como eu pensava nele. Era como se eu pudesse vê-lo sob ela, mas não conseguia alcançá-lo. Estava perdendo as esperanças de reencontrá-lo. O tempo passava se arrastando e me dando mais certeza de que nunca mais o veria e lembrar dele era como sentir uma faca no meu peito de tanta saudade e dor que eu sentia.
5 anos se passaram. Eu tentava imaginar com quem ele estava, o que tava fazendo e pensando. Se conheceu uma outra pessoa, se pensanva em voltar, se demoraria mais alguns anos, se eu ainda significava alguma coisa pra ele…
Sempre que dava 19:00h era inevitável não pensar nele. Todas as noites eram assim e eu as vezes ia na praça em que ele tinha me levado, sozinha. Passava algumas horas lá e era como se ele estivesse do meu lado, me fazendo trocentas perguntas sem parar - o que me irritava completamente -, mas eu ainda preferia ele aqui me fazendo perguntas do que lá. Em uma dequelas manhãs vazias, liguei a tv e vi na reportagem que os alistados do exército, voltariam no final da tarde da Alemanha. Porém, poucos sobreviveram às grandes guerras, o que me angustiava.
Eu não conseguia pensar na hipótese dele não estar lá. Ele tinha que estar, ele tinha prometido que iria se cuidar e se não tivesse cumprido sua promessa, eu morreria.
Papai, ao ver o anúncio, me olhou com uma cara de preocupado - o que já era normal - e falou “você está bem?” e eu, apenas balancei a cabeça dizendo que sim.
Voltei para o quarto e fui me arrumar. Fui até ao local anunciado que não ficava muito longe da minha casa e aguardava junto com vários familiares dos alistados.
Era impossível descrever o que eu sentia naquele momento. A cada vez que um alistado do exército aparecia, meu coração pulava tanto que quase saia pela boca. Sei que 5 anos haviam se passado, mas eu reconheceria aqueles olhos cor de mel em qualquer lugar. O último estava de costas, mas estava muito tumulto, eu não conseguia chegar perto. Até que ele virou e sim, era ele. Pulei em seus braços e dei-lhe um abraço tão aperto e o seu, era tão aconchegante que eu não conseguia explicar. Só não queria sair de lá. Eu chorava descontroladamente e ele me abraçava cada vez mais forte.
Num momento, ele se ajoelhou como quem quisesse perdão por ter partido, como se tivesse se arrependendio.
- Eu senti tanto a sua falta, Allie. Tanto…
- Porque demorou? Você não sabe o quanto foi difícil pra mim…
- Eu sei, porque também foi dificil pra mim.
- Eu te amo, Travis.
- Eu também, Allie.
- Mas você não entende.
- Porque diz isso?
- Travis, 3 anos antes de te conhecer eu havia desacreditado totalmente do amor. Mas você… Você me fez acreditar novamente, me mostrou que ele realmente existe e me fez senti-lo, pela primeira vez, de verdade.
- Eu te amo, Allie. Eu te amo demais e prometo, não vou mais te deixar. Eu prometo! Você é a mulher da minha vida.

<b>— written-stars, um amor do acaso.<\b>


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Depois que eu colocar meu fone de ouvido, minha vida torna-se um vídeo clipe.


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